segunda-feira, 19 de junho de 2017

Cansaços

Cansaços há de todo tipo, para todo gosto. Desde preguiça, que não é bem um cansaço, ao pessoano cansaço de existir. Cansamos de situações, pessoas, empregos, comidas, atividades físicas, rotinas. Cansamos, mas normalmente resistimos. A questão mais importante é saber até quando resistir para não desabarmos por completo, de modo irremediável - até nome há para esse ponto do qual não se volta no trabalho, a Síndrome de Burnout, tão bem representada pelo palito de fósforo queimado.
Acho que nunca estive tão cansada. Ao cansaço natural do trabalho intenso sem férias há quase 3 anos, veio juntar-se o cansaço mental das demandas domésticas diárias. Nunca tinha pensado a respeito desse tipo de cansaço, porque estava tão internalizado em mim organizar tarefas que.
Um quadrinho da francesa Emma veio só confirmar a causa de o meu cansaço mental e o de quase todas as mulheres ser tão profundo. Na verdade, eu sempre cuidei apenas das minhas demandas. Hoje, penso automaticamente em todas as demandas da casa, além das minhas e das do meu marido. Se falta algo em casa ou se é preciso fazer qualquer modificação, a ideia é simplesmente jogada no ar, pressupondo-se que eu vou resolvê-la. Parte da culpa é minha, é claro, por tomar a demanda para mim. Mas a outra parte é feita daquela frase tão ouvida em todo lugar: "era só pedir". Só que não.
Entonces, esse cansaço mental triplicado só vem pesar ainda mais sobre o cansaço com o trabalho. E aí acontecem os furos, os esquecimentos, a atrapalhação geral. O questionamento com o que estou fazendo de fato da minha vida e da minha vida profissional. É o que quero? Faço porque gosto, porque simplesmente "aconteceu" ou faço porque preciso pagar as contas?
Quando houve o evento sobre autoestima promovido pelo estúdio de pilates, uma das perguntas feitas pela palestrante era "em qual o momento você se sentiu feliz por ter conquistado algo?". Todas as coisas em que pensei estavam ligadas ao conhecimento, mas sempre como algo dinâmico, em construção, com troca constante - criativo. Não como conferência automática de conteúdo.
É nesse sentido que esses diferentes cansaços se somam e se retroalimentam, levando a um quase completo esgotamento. A única solução que vejo é sair dessa espiral.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estrangeira

Filha e neta de nordestinos que sou, sempre me incomodei com as "brincadeiras" voltadas aos nordestinos, especialmente aos baianos - o que não quer dizer que eu não as tenha feito, quando criança, seguindo a onda dos amiguinhos, embora com um remorso lá no fundo.
Em São Paulo, o estado com maior número de baianos fora da Bahia e maior número de nordestinos do país, isso é e sempre foi corriqueiro. Baiano é sinônimo de nordestino, baianada é sinônimo de burrice, de barbeiragem. Por extensão, todo nordestino seria afeito a barbeiragens. Não bastasse o horror, a indecência de se dizer isso de toda e qualquer pessoa, seja quem for e de onde for, ainda por cima é uma afirmação injusta com quem trabalha muito, muitas vezes de sol a sol, muitas vezes em condições precárias e exploratórias. Como todo e qualquer preconceito, não faz nenhum sentido. Ou melhor, é, em si, como todo e qualquer preconceito, um exemplo de barbeiragem, de falta de destreza e inteligência.
Aí eu me mudei para a Bahia. De cara, houve duas reações à minha chegada: a gozação por eu ser paulista (sinônimo de ser caipira, não descolado, ou fresco, metido, de só viver para o trabalho ou sempre reclamando de tudo) e uma autocrítica baiana antecipada (antes que a paulista metida criticasse os costumes locais, os próprios baianos faziam isso). Ambas as reações, nada agradáveis. A primeira foi se tornando menos comum, mas a segunda persiste, o que me entristece.
Pela primeira vez, estive do lado de quem é julgado por sua suposta cultura, claro que sem o mesmo peso dos nordestinos fora de seus estados. Porque, de qualquer modo, embora "paulista", eu sou branca (um pouco amarela, é verdade) numa terra de maioria negra e parda. Aqui as divisões étnico-econômicas são muito evidentes. Quem "serve" é normalmente negro ou pardo. Também não vejo muita diversidade nas relações - lembro como me surpreendi ao conhecer os amigos do marido: todos brancos, altos, bonitos, hetero e bem nutridos. Eu, que venho de uma cidade caótica e multicultural, que tenho amigos de toda cor, credo, formação, classe social, orientação sexual, fiquei um pouco espantada. Nunca tinha estado em um grupo tão homogêneo, a nata da sociedade soteropolitana.
Aqui e ali, vejo que agradaria às pessoas que eu me tornasse mais baiana, como uma aceitação plena do novo locus. Mas aceitar o novo locus e me encantar com ele não significa deixar de ser quem sou - brasileira, filha de nordestino e nissei, paulista.
O fato fatídico é que sou estrangeira, talvez sempre seja, apesar da minha facilidade de adequação às situações. Não acho isso nada ruim - por sê-lo é que posso perceber as nuances das relações, da cultura local, e me enternecer com situações como a de ir à Avenida Sete comprar coisas para casa e as vendedoras se despedirem de mim assim: "Tchau, meu amor. Vai com Deus". Coisa mais linda não há, e eu vejo, e sei, porque, vinda de fora, estou dentro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Quase dois irmãos: merecimismo e meritocracia

Outro dia falei da meritocracia, essa falácia travestida de recompensa aos desvalidos esforçados. Hoje, li um texto da sempre ótima Eliane Brum sobre os filhos de classe média que, mesmo tão "preparados" materialmente para a vida, estão completamente despreparados para a vida. Tudo porque, segundo Brum, os pais os têm enganado com outra falácia, a de que merecem tudo. Assim, sem esforço, graciosamente, por uma suposta genialidade. Não lhes ensinam a lidar com a frustração, com a falta, com a raiva. Seria quase o oposto da meritocracia, se não provocasse males similares. Eu batizei esse mal irmão da meritocracia de merecimismo (se é que alguém já não o chamou assim).
Enquanto a meritocracia desvia a atenção de todos da desigualdade social, o merecimismo desvia o olhar dos problemas da vida real que podem acometer os mais abastados.
Tenho visto exemplos de merecimismo no cotidiano, tanto em jovens que fazem as coisas pela metade, numa espécie de dormência física, como em crianças que ficam transtornadas por não terem alguma coisa. A fonte do mal é a mesma: não terem aprendido com seus pais que nem sempre terão tudo à mão, que nem sempre haverá alguém que faça as coisas por eles. Quando caírem na real - o mundo e o contato com a diversidade, e as consequentes respostas não aprendidas em casa -, como vão reagir? Com raiva, batendo o pé? Alguns talvez sejam mais agressivos, recorram à violência; outros podem até entrar em depressão. O mais terrível é perceber que dentro dessa bolha criada em família conceitos como civilidade, liberdade e justiça são necessariamente distorcidos - por exemplo, não ser justo que o outro tenha e eu não, não por uma questão de injustiça social, mas porque o outro tem culpa na minha falta. Algo que beira o conceito de inveja, em que não quero que o outro tenha algo que não tenho, como se o fato de ele não ter abrandasse a minha falta. Claro: não abranda. E isso só cria mais amargura, mais inveja, mais violências, grandes e pequenas.
O filme Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, traz esses dois irmãos conceituais numa chave menos óbvia, mas possível: a menina pobre, filha da empregada, batalha por uma vaga na universidade pública, e vence. Por seu talento, por seu esforço, e também pelo esforço da mãe, que lhe garantiu condições mínimas para que estudasse, além de ter aprendido com um professor que ela não deveria se sentir inferior a ninguém. Já o filho da patroa, que teve acesso a tudo de melhor, não consegue seu lugar ao sol, e fica deprimido com a derrota inesperada, absurda. O que faz sua mãe? Dá a ele uma temporada no exterior, para fazer um curso livre em Harvard, por um ano. Não lhe ensina a lidar com a frustração - varre a malvada para debaixo do tapete. Na verdade, não ensina nada, oculta a verdade, não concede um pouco de luz ao filho - ela, que lhe deu à luz.
Sob as nuvens da meritocracia e do merecimismo, vivemos tempos sombrios.

sábado, 26 de novembro de 2016

Os deméritos da meritocracia

Uma vez, ouvi de uma moça que só encontrei uma vez que "para saber onde se quer chegar, é preciso não esquecer de onde se vem". Me identifiquei muito com aquilo. Afinal, todo dia me lembro o quanto batalhei para ser quem sou - muito embora essa batalha tenha sempre parecido muito natural. Eu sabia, desde muito nova, que ficar esperando não me traria nada. Sempre fui atrás do que queria, sobretudo do conhecimento, que foi o que me levou mais longe sempre. Não teria feito nada diferente.
No entanto, tenho consciência de que teria sido mais difícil se eu não tivesse sido criada entre livros, se não tivesse tido apoio dos meus avós, se minha mãe não empregasse seus esforços na nossa educação. Se, além de pobre, eu fosse negra, com certeza tudo teria sido mais árduo. Quer dizer: não bastaria minha vontade para eu "merecer" minhas vitórias.
Não faz muito tempo que conheci o significado da palavra meritocracia. Para os incautos, seria o termo mais adequado para descrever minha trajetória. (Alguém pode objetar, e lembrar que não me tornei nenhuma milionária, nem ganhei prêmios no exterior por alguma descoberta científica relevante. Mas acho que minha trajetória é vitoriosa - poderia ter me contentado a cursar qualquer coisa só para conseguir um trabalho, e então viver de pagar contas e ambicionar coisas caras; acabei optando por ter um conhecimento de qualidade, que não cessa de crescer, para ficar só na esfera das "riquezas".)
Eu quase acreditei por um momento que a meritocracia era um bom verbete, que daria conta de tratar da superação, do autoconhecimento etc. Aí percebi que era uma falácia, uma forma de os poderosos afirmarem que o problema não é a desigualdade social, mas a preguiça da maioria em sacudir a poeira e partir pra conquista dos seus sonhos, como se isso em si bastasse, como se não fosse necessário dar oportunidades iguais a todos. Desse modo, o problema é transferido para os indivíduos, para sua incompetência, retirando do Estado a responsabilidade de garantir o bem-estar social a todas as pessoas. Somente alguns poucos não privilegiados conquistam algo melhor porque são poucos os que de fato correm atrás, que "merecem" chegar lá.
Trata-se de uma armadilha pérfida do neoliberalismo. Já vi muita gente boa acreditando nisso, que basta a iniciativa individual para alguém ascender socialmente. Sem condições equânimes de estudo e trabalho (para não mencionar o bem-estar familiar, a alimentação saudável etc.), é quase um milagre o sujeito pobre, negro, nordestino, mulher, homossexual se destacar. Também acaba sendo uma forma de se encerrarem os desagradáveis debates sobre a desigualdade. Quem não conseguiu, é porque se esforçou pouco, ora essa!
E assim alimenta-se uma sociedade ainda mais rancorosa, desigual, improdutiva. Quem falhou, não cobra do Estado melhores condições de vida - limita-se a invejar quem as possui. Quem as possui, olha com arrogância para os desvalidos. Aumenta a violência, cresce a necessidade de consumo de todo lado, para quem quer continuar sendo cidadão "diferenciado" e para quem quer se tornar "cidadão" aos olhos do outro.
Com o domínio da meritocracia no imaginário geral, cada vez mais vemos a democracia se distanciar.

Eu canto porque o instante exige

Ontem quis contar ao marido uma história sobre minha relação com o canto. Não consegui. Talvez não fosse a hora.
Tive essa vontade porque outro dia comentávamos o documentário Happy, de Roko Belic, que ele e eu assistimos, cada um num dia. Muitas coisas ali eu já intuía e praticava. Mas as histórias alheias de dor, superação e descoberta de si sempre me levam lágrimas aos olhos, como a de uma mulher que havia sido linda, e após ter sido atropelada por uma picape tem a beleza destruída e o passado de abuso todo trazido à tona. Resultado: ela se agarrou à tarefa de cuidar dos filhos, ao trato de animais (os sempre maravilhosos caballitos), olhou para si mesma e retomou a vida, com unhas e dentes. Abandonada pelo marido, que não deu conta do desastre alheio, encontrou um novo amor, com o lindo nome de Happy. Demais, demais, demais!
A ideia mais bacana do documentário, na minha opinião, é a do fluxo. Eu já usava essa expressão, estar no fluxo, emprestada da minha amiga Marisa, para falar da presentificação, da gratidão, da aceitação - é quando as coisas começam a acontecer, porque nos movemos, porque aceitamos o que é dado mas nos abrimos ao que vem. No documentário, estar no fluxo também tem a ver com estar presente, mas associado àquilo que nos dá prazer. Praticar atividades físicas, ajudar alguém, desenvolver um talento.
Foi aí que me veio a história do canto, do que significa para mim. Desde muito pequena, sempre gostei de cantar. Sem nenhuma pretensão artística, apenas porque me espanta os males, me liberta. Desde sempre. Quando não canto, quando falo, minha voz é meu salvo-conduto. Por isso, na época em que estive ligada a uma igreja, e os pretensos cantores do coral faziam caretas ao me ouvir cantarolar, aquilo me doía como uma injustiça. Quando eu falava, muita gente torcia o nariz: "metida!". Até um namorado que lá tive, músico "abençoado", não me estimulava de nenhum modo a cantar ou a falar. Ninguém queria me ouvir na igreja. Então, saí.
Fui redimida nos círculos laicos. Muita gente dizendo que eu devia trabalhar com a voz, ir para o teatro, para a rádio. Uma vez, numa reunião na casa de amigos, cantei ao lado de um rapaz que tocava violão. Ele disse que eu cantava bem. Nem levei a sério, mas me apaixonei um pouquinho. Não sei se dá para entender - era como se ele visse a mim, não simplesmente ouvisse/julgasse a voz. Porque ali eu estava inteira, presente, no fluxo.
Depois levei um monte de gente aos karaokês da Liberdade. Quero ouvir as pessoas tirando de dentro de si sua verdadeira voz. Detesto quando rola alguma repressão, velada ou não. Vejo como as pessoas ficam felizes ao cantar sem serem julgadas.
Embora meu marido não tenha parado para ouvir essa história, um dos motivos para casar com ele foi o respeito que ele mostra quando me meto a cantar, nos karaokês ou em casa. Nada de caretas, de julgamentos. Vê que é uma das minhas situações de "fluxo", como bordar, cozinhar, desenhar, e me estimula. Ele vê a mim em minha voz.
Cada vez que o instante exige, portanto, eu canto. E reapareço, e me fortaleço.

domingo, 4 de setembro de 2016

Opinião

Em dezembro de 1964, estreava o show Opinião, criação artística coletiva em plena ditadura militar. Ao lado de Zé Keti e João do Vale, Nara Leão, com sua tristura doce, cantava:

"Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião"

Hoje ela teria, de novo, todo motivo para cantar assim. Após o impeachment de Dilma Roussef e a reinstalação dos ratos no governo, sob o cacetete da polícia, Nara teria uma sensação terrível de déjà vu. 
Aliás, acerca da opinião, tenho evitado expor a minha nas redes sociais. Alguns amigos estranham meu silêncio. Mas, de repente, me bateu um tédio diante da possibilidade de alguém vir opinar sobre a minha opinião, o que parece ter virado regra nos dias de hoje. Todo mundo quer convencer todo mundo, muitas vezes se recusando a ver os fatos que gritam por si. Todo mundo opina, mesmo sem ter pensado a respeito, apenas reproduzindo o que lê e ouve por aí. O resultado? Histeria pura e simples (se é que a histeria pode ser simples).
Por isso, tenho me limitado a concordar com quem pensa como eu. Talvez um tanto covardemente, não dou mais a cara pra bater nesse tipo de discussão, sobretudo quando sei que quem está do outro lado está surdo e cego, mas, em alguns casos, para meu azar, não está mudo.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ser mulher

Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Simone de Beauvoir continua causando furor com sua constatação. Talvez hoje mais que em 1949, a ponto de a francesa ser lançada à fogueira, viva fosse, por ter sido tema de questão do Enem 2015.
Sim, ser mulher é uma condição a que se chega, e me parece que pode ou não acontecer. O que mais se vê, porém, são travestis de mulher, seres do sexo feminino que vestem a fantasia imposta pela sociedade. Nossa sociedade brasileira machista, por exemplo, crê que mulher é um ser submisso, a que não se deve dar voz, a quem se pode interromper, que deve aguentar cantadas por onde passa, que deveria dar graças a Deus por ser cantada, que deve fechar os olhos a traições e maus-tratos, que merece ganhar menos que o homem, que não pode mostrar inteligência - se for inteligente, provavelmente, é sapatão, e sapatão não é mulher. No Brasil, mulher boa é "bela, recatada e do lar", como se disse da senhora Michel Temer - um modelo para todas nós. Se nos faltar uma dessas "qualidades", só nos resta lamentar ou morrer de inveja. Ou, ainda, passar a vida tentando se adequar a isso, agradecendo ao homem que nos queira. Oh, sim, todas precisamos de um homem, ou não seremos mulheres. Aliás, precisamos de um homem e também ter filhos, ou seremos simples aleijonas sociais.
Mulher que se preza no Brasil anda na corda bamba pra se sustentar, ficar linda pro seu macho, estar sempre depilada, bronzeada, hidratada, gostosa, cozinhar bem, lavar a louça, estar disponível para o sexo quando o macho quiser. Apesar de ter de ser sensual, se for estuprada, a culpa foi sua, com certeza: quem mandou usar roupas provocantes? Ah, não era ela que já tinha um filho, andava na boca do morro, era drogada? Teve o que merecia - ser violentada por mais de 30 homens. Desacordada sim, mas houve consentimento (ela não estava lá pra "isso"?) - logo, não foi estupro. Aliás, sempre que querem quebrar uma mulher, estupram-na. Porque o estupro é uma forma de demonstrar o poder do macho. Quebram sua alma, sua dignidade.
Isso que aconteceu na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com a jovem violentada coletivamente, coroa as violências que as mulheres sofrem todo dia. Quando é constrangida pelo companheiro, pelo chefe, por colegas, quando ouve "cantadas "bizarras e teme responder, quando é interrompida por um homem no meio de uma conversa. Eu já trabalhei em ambientes muito machistas, tive companheiros abusivos em algum grau, vi alguém se masturbar na minha janela, ouvi grosserias na rua. Se ser mulher é ter de viver isso, obrigada, está muito longe do que eu quero e mereço.
Não bastasse a culpa que a mulher carrega, simplesmente por ser mulher, travesti ou não de seu gênero, ainda há a cultura de colocar uma mulher contra outra. A culpa não é do homem que deu mole, mas da vaca que deu em cima do pobrezinho, a outra. Livra-se parte das pessoas envolvidas apelando para a questão de gênero. Assim, quem carrega a culpa e as responsabilidades pelos pecados do mundo são as mulheres, não as pessoas.
Aliás, não há nada mais distante de ser uma pessoa do que ser mulher no Brasil ou em qualquer pátria (nome mais claro não há) machista.