terça-feira, 13 de setembro de 2011

Amor

Reli há pouco um texto que escrevi há dez anos, "Amar".
Fazer essas releituras não é só importante do ponto de vista estético - o que melhorou, o que se perdeu no jeito de escrever -, mas principalmente quanto à visão do mundo - que temos esperança de ver ampliada.
Ainda concordo que amar não é fácil e faz a gente se perguntar se não é melhor ficarmos sozinhos com nossa solidão, e também que exige coragem e fé e muito talento para recomeçar.
Hoje, porém, não acho mais que acabamos topando tudo por amor - sofrer, engordar ou emagrecer muito, chorar, se decepcionar. As decepções vêm sim, quanto maiores são as nossas expectativas com o outro (isso em qualquer relação), e até choramos por isso. Mas daí a achar naturais o descaso, o descomprometimento, a dor... Esta só mantém com o amor uma relação fonética, e mais nada.
O amor me parece tão mais fácil hoje - menos terrível, menos ofuscante. E mais revelador: uma espécie de milagre cotidiano, prazer nas pequenas gentilezas e descobertas conjuntas. Até faz engordar um pouquinho, mas porque provoca apetite pela vida. Parece que só por amor a alguém ou a uma causa descobrimos do que somos capazes.
Hoje seria mais econômica e enfática: amar é muito bom!