Sempre fui mais da prosa que da poesia, e acho que sei por quê: meu poder de síntese é parco, sou mais das longas análises que dos silêncios ensurdecedores nas entrelinhas. Mas fico emudecida diante de um bom poema, de um verso carregado de sentidos.
Esses dias me voltou como um bumerangue a "Canção excêntrica" de Cecília Meireles. Publiquei no FB. E aí fiquei com os versos pendurados na mente, nos lábios, nas mãos, especialmente esses:
"Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida."
Penso que é porque eles mostram a dificuldade do desapego, do fazer o que deve ser feito, de simplesmente seguir em frente. Isso porque me pego negaceando em meus passos, hesitando aqui e ali. E mesmo sabendo que só há jeito de seguir, prosseguir, ir, ainda caminho como quem borda o ponto-atrás - avançando um ponto-passo, retrocedendo meio ponto, meio passo. Ainda que isso seja só em pensamento, em um ligeiro temor diante do inevitável futuro.
Mas sigo - abro o abraço, me despeço do ontem, retomo os passos e sigo.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
sábado, 2 de janeiro de 2010
Escritos alheios I
Gosto muito de O verbo no infinito (poema em que andei cismando um dia desses) do frequentemente injustiçado Vinicius de Moraes. Os verbos são usados no infinitivo para reforçar a ideia da ação constante, incessante:
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
Mesmo com o sofrimento todo, o eu poético afirma que vai "esquecer tudo ao vir um novo amor".
Não sei por que, mas isso me faz lembrar uma historinha da Turma da Mônica, chamada "As emoções bárbaras" (e já vi que vários internautas se lembram dessa história). Um ente superior resolve descer à Terra para viver as tais emoções bárbaras, de que já não lembra mais. Claro, vai topar com Mônica e Cebolinha. A história é ótima, tão boa quanto a do mito da caverna, também desenhada por Maurício de Sousa e protagonizada pelo Piteco.
Talvez minha estranha associação (Vinicius+quadrinhos) tenha a ver com a ideia de que o esquecimento nos leva a fazer tudo de novo. Não é por isso que costumamos ser mais cuidadosos ao manusear objetos pontiagudos, ao mexer com fogo? Na verdade, porque "lembramos". Afinal, aquilo machuca, queima etc.
Por que será que no que diz respeito às emoções costumamos "esquecer"? Ou fingimos que esquecemos? Muitas vezes, elas também machucam e queimam.
Mistérios.
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
Mesmo com o sofrimento todo, o eu poético afirma que vai "esquecer tudo ao vir um novo amor".
Não sei por que, mas isso me faz lembrar uma historinha da Turma da Mônica, chamada "As emoções bárbaras" (e já vi que vários internautas se lembram dessa história). Um ente superior resolve descer à Terra para viver as tais emoções bárbaras, de que já não lembra mais. Claro, vai topar com Mônica e Cebolinha. A história é ótima, tão boa quanto a do mito da caverna, também desenhada por Maurício de Sousa e protagonizada pelo Piteco.
Talvez minha estranha associação (Vinicius+quadrinhos) tenha a ver com a ideia de que o esquecimento nos leva a fazer tudo de novo. Não é por isso que costumamos ser mais cuidadosos ao manusear objetos pontiagudos, ao mexer com fogo? Na verdade, porque "lembramos". Afinal, aquilo machuca, queima etc.
Por que será que no que diz respeito às emoções costumamos "esquecer"? Ou fingimos que esquecemos? Muitas vezes, elas também machucam e queimam.
Mistérios.
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